Direto do Plenário: Manifestações 07/09 e Projeto UAB

Ricardo Young fala sobre as manifestações de 7 de setembro e sobre o projeto da Universidade Aberta do Brasil da prefeitura.

Opinião:

Não tenho opinião formada ainda sobre os temas que o Ricardo Young tratou no vídeo. Não acompanhei a sessão de ontem e não li o projeto da UAB. Volto ao tema depois.

@rafascarvalho

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Na Câmara de SP, vereadores agora elogiam ativistas

19 de junho de 2013 | 8h 21

DIEGO ZANCHETTA – Agência Estado

Uma semana após manifestantes do Movimento Passe Livre (MPL) serem chamados de “criminosos” e “delinquentes” no plenário da Câmara de São Paulo, o tom dos discursos mudou. Agora, vereadores dizem que a tarifa zero é possível e defendem a revogação do reajuste – a passagem saltou de 3 para 3,20 reais.

Na sessão iniciada às 15 horas desta terça-feira, parlamentares de diferentes partidos tentam contar em cinco minutos (tempo regimental para uso da palavra) como foi a participação na passeata. Os elogios ao movimento foram uníssonos. A vereadora Juliana Cardoso (PT), por exemplo, que não participou dos primeiros atos, apesar de ter apoiado os protestos do MPL realizados em 2011, disse que o movimento “está de parabéns” por ter levantado o debate sobre a redução da tarifa. “Eu participei ontem (17) e quero parabenizar os manifestantes”, discursou.

O vereador Laércio Benko (PHS) também falou sobre a participação na passeata e defendeu a tarifa zero. “Eu encontrei lá o vereador Alfredinho (PT), o vereador Nabil Bonduki (PT)”, afirmou. “O transporte gratuito está previsto na Constituição, assim como a saúde e a educação. Precisamos discutir como isso pode ser subsidiado, se com o pedágio urbano, por exemplo. Podemos sim falar, a médio prazo, em transporte gratuito em São Paulo”, acrescentou o líder do PHS.

Proposta interessante

Até o vereador Goulart (PSD), que pouca vezes faz discursos no plenário, defendeu a tarifa zero e as manifestações do Passe Livre. “A proposta da tarifa zero é interessante. Quem sabe num futuro próximo a gente consiga conquistá-la”, afirmou Goulart, um dos principais líderes da Casa.

Líder do PSDB, Floriano Pesaro disse que o prefeito Fernando Haddad (PT) poderia reverter o reajuste na passagem se não estivesse reembolsando donos de veículos pela taxa da inspeção veicular. “São R$ 180 milhões que serão devolvidos para quem tem carro, para quem usa só o transporte individual. Por que essa verba não foi usada para segurar o reajuste de 20 centavos que gerou toda essa indignação na sociedade?”, questionou.

O líder do PT, Alfredinho, que chamou na semana passada manifestantes de “arruaceiros”, agora diz que o movimento cresceu por causa da repressão da polícia. Ele afirmou ter ido de metrô ao protesto desta segunda-feira, 17. “A juventude foi para rua e quer mudança”, discursou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Opinião: Os vereadores não são bobos e estão tentando se aproveitar agora que é cool apoiar as manifestações. Justiça seja feita, Ricardo Young, Toninho Vespoli  (principalmente) e Natalini (são os que eu consigo lembrar agora), sempre se posicionaram à favor das manifestações.

@rafascarvalho

Young quer CPI para investigar concessões de ônibus em SP

RenattodSousa/CMSP
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O vereador Ricardo Young (PPS) protocolou um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as concessões de ônibus na cidade de São Paulo. “Essa caixa preta precisa ser aberta”, declarou o parlamentar durante a sessão desta terça (18/6), referindo-se às planilhas de custo das empresas, que não são divulgadas pela Prefeitura.

O parlamentar quer que a Câmara analise como as concessionárias empregam os recursos que recebem, pois pairam fortes suspeitas sobre as contas dessas empresas. Para ele, o sistema de transporte da cidade está em “colapso”, oferecendo um serviço ruim por um preço alto.

“Nós só vamos conseguir lidar com esse colapso se tivermos a coragem de mergulhar fundo naquilo que orientou o atual sistema e nos vícios que esse sistema tem”, acredita Young.

Por fim, o vereador defendeu que o prefeito Fernando Haddad volte atrás no aumento da tarifa de R$ 3,00 para R$ 3,20, estopim do protesto que reuniu milhares de pessoas na cidade ontem: “Porque não há nenhuma segurança de que esse aumento não estará sendo absorvido na ineficiência e na corrupção do próprio sistema”.

(18/6/2013 17:50)

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Opinião: CPI é um instrumento que ora funciona, ora se perde em interesses nada claros. Desconfio que a CMSP possa fazer uma boa CPI por si só. Só irá funcionar se todos os tem participado das manifestações acompanharem de perto esses trabalhos. Nós estaremos acompanhando tudo, bem de perto.
@rafascarvalho

Editorial:#SP17J #oGiganteAcordou

Sim, eu fui à Manifestação.
Como saber e sentir o que estava acontecendo sem estar presente? Eu precisava ver com os meus próprios olhos, sentir o que estava acontecendo. E o que eu vi foi de arrepiar.
Cheguei ao Largo da Batata perto das 18h20 e encontrei uma multidão de todas as cores, idades e pretensões. Não, não era só pelos R$ 0,20 que aquelas pessoas estavam ali. Eram famílias, pedindo por saúde, gritando não à PEC 37, à corrupção. O que se via nas mãos das pessoas eram celulares (a concentração era tanta que o 3G não deu conta) a mil por hora, tirando fotos, mandando mensagens, chamando mais gente para a festa e cartazes com frases no mínimo criativas (veja galeria).
Era tanta gente que em certo momento não se via o começo e nem o fim. Difícil não segurar as lágrimas com a imagem das pessoas sendo refletida pelas janelas dos imponentes prédios da Faria Lima.
Resolvi andar um pouco mais e alcancei um grupo mais organizado. Eram associações estudantis que já tinha gritos bem ensaiados e bandeiras dos movimentos que representavam. O clima de organização e civilidade se mantinha. O som de uma bateria estudantil animava e conduzia a “ola”. (continua depois das fotos)
Andei mais um pouco (na verdade, muito) e avistei o começo de um dos grupos que passavam em frente à Rede Globo (cantando frases “elogiosas” à família Marinho). Subimos a Ponte do Morumbi, esperamos e admiramos mais uma multidão vir ao nosso encontro (eles acessaram a marginal Pinheiros, via Ponte Estaiada). Quando as duas multidões se uniram, foi uma festa! Abraços e gritos nos animaram no caminho ao Palácio do Governo.
Estávamos cansados. Mas sabíamos aonde chegar.
Avistamos o Palácio do Governo, gritamos palavras de ordem, fizemos piadas com o governo Alckmin e pegamos o caminho de volta. Não vi vandalismo e as poucas tentativas foram reprimidas pelo próprio movimento.
Não sei em que momento eu sai de um texto em primeira pessoa do singular para uma na primeira pessoa do plural, só sei que gostei do que vivi em #SP17J.
Como integrante da rede “Adote Um Vereador”, gostaria de lembrar a todos que participaram da manifestação que não são cartazes ou gritos que mudam as coisas. Hoje participar da manifestação é algo cool. Menos cool é ter uma participação ativa na cobrança de quem deveria fiscalizar atos do poder executivo, votar em políticos descentes e acompanhar o seu mandato. Você sabia que a Planilha de Custo da tarifa foi enviada no dia 22/05/2013 à Câmara Municipal de São Paulo e pouquíssimos vereadores citaram isso em algum momento? Você sabia que o mesmo PT que agora esta no poder, criticou a mesma Planilha e agora se silencia? Sabia que a truculência com a qual a polícia do PSDB agiu dia 13/06, não existiu com a tal Planilha de Custo quando o PSDB era governo (Serra/Kassab)? Que existe um projeto parado no senado que tornaria possível uma redução das tarifas? Que NESTE momento a prefeitura esta com uma proposta de nova licitação para o sistema de ônibus de São Paulo?
Lute, Exija, Acompanhe. As manifestações abrem um novo horizonte para todos, mas depende de mudanças individuais para que esse horizonte seja claro.
E importante: #VemPraRua!
@rafascarvalho
PS. No Largo da Batata um cartaz me chamou a atenção. Um senhor de meia idade o segura com os dizeres: “Desculpe o transtorno, estamos mudando o Brasil”. Tirei uma foto para guardar. Não é que depois de tudo, quando voltávamos para a Estação Butantã, vimos no quintal de uma casa alguém oferecendo água para uns 4 manifestantes. Paramos para pedir um pouco de água também, e não é que era o mesmo cara que segurava o cartaz no Largo da Batata!?!? Não dava pra acreditar! O nome dele é João Helou, uma figura! Fica aqui os meus agradecimentos pela água! (https://www.facebook.com/joaohelou)

Ricardo Young na #SP17J

Relato em https://www.facebook.com/ricardoyoungvereador

 

Próximos passos

Ontem o Largo da Batata dispensou o vinagre. Dali da concentração do 5o ato contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, mais de cem mil pessoas partiram em múltiplas direções, de forma absolutamente pacífica, mostrando que cidadania e paz andam de mãos dadas. Com sede participação, as pessoas atravessavam a cidade a pé, como se pedissem as ruas de volta para si.

(E esse foi o grito principal: “vem! Vem! Vem pra rua, vem! Contra o aumento!”)

Ali ficou claro que a força policial era o que despertava a revolta e incitava a violência dos atos anteriores. A ausência de ofensiva da Polícia Militar, resguardada à função de garantia da manifestação e preservação do patrimônio público, mudou a cara do protesto. Foram seis horas de caminhada vibrante e alegre.

(E gritávamos: “que coincidência! Sem polícia, sem violência!”)

Sem microfones, palanques ou carros de som. Na era do Facebook, o movimento não tem uma liderança clara, nem segue as cartilhas tradicionais. Mas para o Brasil. E para porque chegou a hora de o país enfrentar dilemas radicais, simbolizados pelo colapso do transporte público e pela total falta de transparência com a destinação do dinheiro público.

(E sempre que passávamos em frente aos ônibus, impedidos de prosseguir devido à multidão que tomava as avenidas, o grito virava uma pergunta: “ei, motorista! Ei, cobrador! Me conta aí se o seu salário aumentou?”)

O próximo passo é abrir a caixa preta desse sistema, questionando a Prefeitura sobre o destino do dinheiro pago pelos passageiros e também sobre o 1,3 bilhão de reais que os contribuintes pagam em forma de subsídios às concessionárias e permissionárias dos ônibus.

Vocês já sabem que requeri a planilha de custos da SPTrans, através da Comissão de Trânsito e Transportes. No entanto, a questão vem se mostrando mais complexa e, por isso, hoje protocolaremos um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os contratos do transporte público em São Paulo.

Precisaremos do apoio de 19 vereadores para que a CPI seja instaurada. E para que ela seja bem sucedida, será preciso mais: que essas milhares de pessoas continuem mobilizadas, atentas e atuantes, para garantir que o elo mais próximo entre a cidade e o poder público funcione realmente como um aliado. Hoje ocupamos a cidade. Pelo resto do ano, também é preciso ocupar a Câmara Municipal.

Passe Livre

Opinião e a ação de Ricardo Young e equipe sobre as manifestações do Passe Livre São Paulo

Cai a máscara

Durante todos os dias de manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, tentou-se caracterizar o movimento pelo vandalismo – e não faltavam argumentos, porque sempre há excessos. Assim, as autoridades policiais diziam que a força era usada de forma reativa. Na noite de ontem, porém, as cenas falaram mais alto que os discursos. Acompanhamos o desfecho do ato dessa quinta-feira nas delegacias do 78o DP e, já por volta da 1h da manhã, no 1o DP. O tenente Ben-Hur Junqueira Neto, que comandou a contenção dos manifestantes, assegurou que as apreensões teriam sido tranquilas e sem truculência. Conversei com ele e também com dezenas de manifestantes detidos. Uma minoria relatou algum grau de vandalismo; a maioria era de participantes pacíficos. Eles contam que foram cercados na Praça Roosevelt, pelas tropas da Polícia Militar, que diziam ter “ordens para reprimir”. Acuos e detenções seguiram pelas ruas que levavam até a av. Paulista e detiveram mais de uma centena de manifestantes. Boa parte deles foram para o 78o DP, onde constatei que menos de 10 pessoas foram flagradas com coqueteis molotov e armas brancas, como canivetes. A maioria foi detida sem acusação, apenas “para averiguação”. Segundo o delegado, todos seriam liberados. Na busca de constatar os fatos e garantir a integridade dos processos de detenção, acompanhei os casos que pude. Uma jovem tentou registrar um boletim de ocorrência contra a agressão que sofreu dos policiais durante sua apreensão. Eles tinham acabado de liberá-la, depois de ouvir seu depoimento de participante pacífica, mas se negaram a registrar o B.O. Intercedi pelo caso dela, junto a uma defensora pública. Ainda assim, ela teve que procurar outra delegacia. Outro caso abusivo que presenciei foi a revista das mochilas dos detidos. Os policiais revistavam as bolsas na ausência dos seus proprietários, sem cuidado algum. Em seguida, levavam os materiais até os donos, que não reconheciam seus pertences. “Essa blusa não é minha”, um estranhava. “É minha!”, gritava outro na ponta da fila. Um deles foi surpreendido quando o PM sacou de dentro da bolsa uma embalagem plástica com maconha. Outro, menor de idade, estranhou ao receber de volta sua mochila: muito pesada. Estava cheia de pedras! Minha assessoria chegou a prestar depoimento como testemunha das revistas inadequadas. Para um defensor público que acompanhou a movimentação na delegacia, é “absurda e ‘típica de uma ditadura’ a apreensão sem flagrante”. Ele não descarta a possibilidade de os policiais tentarem plantar provas que justifiquem a ação exagerada. Já no 1o DP, fiquei impressionado com o caso de Gustavo Oliveira, que relatou ter sido humilhado, com xingamentos e golpes bem marcados de cassetete nas costas, durante a apreensão pelos policiais. Por fim, orientei todos os manifestantes que relataram abuso policial a denunciarem os casos, encaminhando seus boletins de ocorrência para a Corregedoria da Polícia Militar. Afinal, na tarde de ontem, questionei o Capitão Caio Desbrousses durante uma palestra no plenário da Câmara e ele garantiu que os desvios seriam devidamente investigados e punidos. Vamos cobrar! Agora, não esqueçamos do pleito, que é justo. Se Haddad está seguro de sua decisão, poderia vir a público explicá-la. Em vez de autoridade policial, a Prefeitura e o Estado deveriam entrar no mérito da questão: por que a tarifa custa quanto custa? Para onde ela vai? Como é utilizada junto aos mais de 1,3 bilhão/ano em subsídios às empresas permissionárias? Na reunião da Comissão de Transportes da Câmara, solicitei à SPTrans que envie sua planilha de custos para ajudar a responder essas questões. Também proponho que Prefeitura, movimento Passe Livre e governo do Estado venham usar o espaço da Câmara para o diálogo.

Mas o fato é que, depois da violência empregada na noite de ontem, o governo terá dificuldades de se explicar. Se até então tínhamos dúvidas, agora a máscara caiu.