Editorial:#SP17J #oGiganteAcordou

Sim, eu fui à Manifestação.
Como saber e sentir o que estava acontecendo sem estar presente? Eu precisava ver com os meus próprios olhos, sentir o que estava acontecendo. E o que eu vi foi de arrepiar.
Cheguei ao Largo da Batata perto das 18h20 e encontrei uma multidão de todas as cores, idades e pretensões. Não, não era só pelos R$ 0,20 que aquelas pessoas estavam ali. Eram famílias, pedindo por saúde, gritando não à PEC 37, à corrupção. O que se via nas mãos das pessoas eram celulares (a concentração era tanta que o 3G não deu conta) a mil por hora, tirando fotos, mandando mensagens, chamando mais gente para a festa e cartazes com frases no mínimo criativas (veja galeria).
Era tanta gente que em certo momento não se via o começo e nem o fim. Difícil não segurar as lágrimas com a imagem das pessoas sendo refletida pelas janelas dos imponentes prédios da Faria Lima.
Resolvi andar um pouco mais e alcancei um grupo mais organizado. Eram associações estudantis que já tinha gritos bem ensaiados e bandeiras dos movimentos que representavam. O clima de organização e civilidade se mantinha. O som de uma bateria estudantil animava e conduzia a “ola”. (continua depois das fotos)
Andei mais um pouco (na verdade, muito) e avistei o começo de um dos grupos que passavam em frente à Rede Globo (cantando frases “elogiosas” à família Marinho). Subimos a Ponte do Morumbi, esperamos e admiramos mais uma multidão vir ao nosso encontro (eles acessaram a marginal Pinheiros, via Ponte Estaiada). Quando as duas multidões se uniram, foi uma festa! Abraços e gritos nos animaram no caminho ao Palácio do Governo.
Estávamos cansados. Mas sabíamos aonde chegar.
Avistamos o Palácio do Governo, gritamos palavras de ordem, fizemos piadas com o governo Alckmin e pegamos o caminho de volta. Não vi vandalismo e as poucas tentativas foram reprimidas pelo próprio movimento.
Não sei em que momento eu sai de um texto em primeira pessoa do singular para uma na primeira pessoa do plural, só sei que gostei do que vivi em #SP17J.
Como integrante da rede “Adote Um Vereador”, gostaria de lembrar a todos que participaram da manifestação que não são cartazes ou gritos que mudam as coisas. Hoje participar da manifestação é algo cool. Menos cool é ter uma participação ativa na cobrança de quem deveria fiscalizar atos do poder executivo, votar em políticos descentes e acompanhar o seu mandato. Você sabia que a Planilha de Custo da tarifa foi enviada no dia 22/05/2013 à Câmara Municipal de São Paulo e pouquíssimos vereadores citaram isso em algum momento? Você sabia que o mesmo PT que agora esta no poder, criticou a mesma Planilha e agora se silencia? Sabia que a truculência com a qual a polícia do PSDB agiu dia 13/06, não existiu com a tal Planilha de Custo quando o PSDB era governo (Serra/Kassab)? Que existe um projeto parado no senado que tornaria possível uma redução das tarifas? Que NESTE momento a prefeitura esta com uma proposta de nova licitação para o sistema de ônibus de São Paulo?
Lute, Exija, Acompanhe. As manifestações abrem um novo horizonte para todos, mas depende de mudanças individuais para que esse horizonte seja claro.
E importante: #VemPraRua!
@rafascarvalho
PS. No Largo da Batata um cartaz me chamou a atenção. Um senhor de meia idade o segura com os dizeres: “Desculpe o transtorno, estamos mudando o Brasil”. Tirei uma foto para guardar. Não é que depois de tudo, quando voltávamos para a Estação Butantã, vimos no quintal de uma casa alguém oferecendo água para uns 4 manifestantes. Paramos para pedir um pouco de água também, e não é que era o mesmo cara que segurava o cartaz no Largo da Batata!?!? Não dava pra acreditar! O nome dele é João Helou, uma figura! Fica aqui os meus agradecimentos pela água! (https://www.facebook.com/joaohelou)

Ricardo Young na #SP17J

Relato em https://www.facebook.com/ricardoyoungvereador

 

Próximos passos

Ontem o Largo da Batata dispensou o vinagre. Dali da concentração do 5o ato contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, mais de cem mil pessoas partiram em múltiplas direções, de forma absolutamente pacífica, mostrando que cidadania e paz andam de mãos dadas. Com sede participação, as pessoas atravessavam a cidade a pé, como se pedissem as ruas de volta para si.

(E esse foi o grito principal: “vem! Vem! Vem pra rua, vem! Contra o aumento!”)

Ali ficou claro que a força policial era o que despertava a revolta e incitava a violência dos atos anteriores. A ausência de ofensiva da Polícia Militar, resguardada à função de garantia da manifestação e preservação do patrimônio público, mudou a cara do protesto. Foram seis horas de caminhada vibrante e alegre.

(E gritávamos: “que coincidência! Sem polícia, sem violência!”)

Sem microfones, palanques ou carros de som. Na era do Facebook, o movimento não tem uma liderança clara, nem segue as cartilhas tradicionais. Mas para o Brasil. E para porque chegou a hora de o país enfrentar dilemas radicais, simbolizados pelo colapso do transporte público e pela total falta de transparência com a destinação do dinheiro público.

(E sempre que passávamos em frente aos ônibus, impedidos de prosseguir devido à multidão que tomava as avenidas, o grito virava uma pergunta: “ei, motorista! Ei, cobrador! Me conta aí se o seu salário aumentou?”)

O próximo passo é abrir a caixa preta desse sistema, questionando a Prefeitura sobre o destino do dinheiro pago pelos passageiros e também sobre o 1,3 bilhão de reais que os contribuintes pagam em forma de subsídios às concessionárias e permissionárias dos ônibus.

Vocês já sabem que requeri a planilha de custos da SPTrans, através da Comissão de Trânsito e Transportes. No entanto, a questão vem se mostrando mais complexa e, por isso, hoje protocolaremos um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os contratos do transporte público em São Paulo.

Precisaremos do apoio de 19 vereadores para que a CPI seja instaurada. E para que ela seja bem sucedida, será preciso mais: que essas milhares de pessoas continuem mobilizadas, atentas e atuantes, para garantir que o elo mais próximo entre a cidade e o poder público funcione realmente como um aliado. Hoje ocupamos a cidade. Pelo resto do ano, também é preciso ocupar a Câmara Municipal.