Opinião: Câmara Municipal a serviço de quem?

Depois de quatro sessões e duas semanas de polêmicas dentro da Câmara Municipal de São Paulo, foi aprovada ontem (03/09/2013) a homenagem à ROTA. Agora haverá uma sessão solene com coquetel para a homenagem.

Acho essa homenagem estapafúrdia, pois na minha opinião a ROTA é um símbolo que de a polícia militar existe para cumprir um papel de repressão à população pobre. Mas esta é uma opinião pessoal, e acredito que isso não seja o principal nessa discussão.

O ponto que queria discutir é a própria existência das homenagens dentro da CMSP. A quem serve? Qual o custo financeiro tem a cidade ao oferecer homenagens a grupos, cujo o maior interessado em homenagear é o próprio vereador proponente?

Há um acordo “histórico” dentro da CMSP onde cada vereador pode homenagear até 8 pessoas/grupos por mandato. Se cada um dos 55 vereadores utilizar a “prerrogativa”, serão 440 homenagens a cada 4 anos! Serei justo, nem todos os vereadores utilizam esse recurso.

Não seria interessante utilizar essa verba de homenagem para promover sessões deliberativas da CMSP no período noturno para que população realmente participasse? Poderia ser apenas a sessão de quarta-feira (onde “historicamente” acontecem as votações). Já tratei desse assunto e dei exemplos (veja aqui). Garanto que a participação do cidadão comum aumentaria, trazendo um resultado muito mais efetivo que qualquer campanha de publicitária promovida pela CMSP (e bem mais barato).

Mas não há interesse dos vereadores em discutir o tema. Qual o papel da chamada oposição, especificamente o PSDB, nisso tudo? Por ter feito em pedido regimental, o vereador Toninho Vespoli (PSOL) foi retaliado pelo PSDB que requereu a vaga cedida à PSOL na Comissão de Diretos Humanos. O mesmo PSDB que reclama tanto do PT na tribuna, mostra que não existe diferença entre eles. Todos querer o poder pelo poder. Simplesmente, e infelizmente, é isso.

@rafascarvalho

PS.: Em tempo, o vereador Ricardo Young votou contra a homenagem à ROTA

Toda a opinião expressada acima não reflete necessariamente uma posição conjunta do #AdoteUmVereador. É apenas uma opinião pessoal de um dos participantes da rede.
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Reunião da Mesa Diretora da Câmara Municipal volta a ser fechada à sociedade

Justificativa da presidência e da vice-presidência é que órgão tratará apenas de questões técnicas internas da Casa. Reuniões de líderes continuarão sendo abertas

Airton Goes airton@isps.org.br

Nos últimos dois anos, as reuniões da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo foram realizadas sem nenhuma restrição à participação da sociedade, incluindo jornalistas e representantes de organizações que acompanham o trabalho do Legislativo paulistano. Essa prática, entretanto, foi alterada nesta quarta-feira (6/2) pelo novo presidente da Casa, vereador José Américo (PT).

Minutos antes do início do primeiro encontro do órgão na nova Legislatura, as pessoas que aguardavam a reunião foram comunicadas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) que somente poderiam permanecer no local – Sala Tiradentes – aquelas oficialmente convidadas.

Ao chegar ao local, o presidente da Câmara Municipal, José Américo, confirmou que havia determinado que as discussões do órgão que dirige a Câmara Municipal fossem fechadas. “Preciso conversar com a Mesa e é uma conversa privativa”, afirmou.

Ele também determinou que a reunião não fosse transmitida pelo site da Casa, uma prática que havia se tornado comum no último biênio.

Explicações da presidência e da vice-presidência

Após a reunião, Américo explicou que as reuniões da Mesa Diretora serão fechadas porque deverão tratar apenas de questões técnicas. “Ao final de cada reunião, me colocarei à disposição para informar as deliberações e responder os questionamentos dos interessados”, argumentou.

O presidente da Câmara garantiu que as reuniões de líderes, onde são decididos os projetos que entrarão na pauta de discussões e votações, continuarão sendo realizadas de forma aberta à sociedade.

Para o vereador Marco Aurélio Cunha (PSD), 1º vice-presidente, as discussões sobre funcionários não devem mesmo ser abertas. “Chamar atenção publicamente de um funcionário é meio constrangedor”, justificou, antes de complementar: “São reuniões de trabalho, com pautas técnicas”.

A nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo é composta pelos seguintes vereadores:
José Américo (PT) – presidente
Marco Aurélio Cunha (PSD) – 1º vice-presidente
Aurélio Miguel (PR) – 2º vice-presidente
Claudinho de Souza (PSDB) – 1º secretário
Adilson Amadeu (PTB) – 2º secretário
Gilson Barreto (PSDB) – 1º suplente
Dalton Silvano (PV) – 2º suplente

Fonte: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/24196

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Comentários: Simplesmente inaceitável a posição da Mesa Diretora. O que é tão constrangedor que será tratado para que o cidadão não possa saber? São pautas técnicas, ótimo, o cidadão que se interessar deve ter acesso. Vou cobrar uma posição de cada integrante da mesa diretora sobre esta questão e volto para publicar.